João Simões, treinador da equipa sénior, prestou declarações ao jornal "Região de Cister", abordando temas desde o seu regresso, ao desafio que encontrou e futuro no clube.

Como foi voltar a uma casa na qual esteve tanto tempo? Como foi recebido?

Nunca saí do H.C.Turquel desde que deixei de estar com a equipa sénior. Mantive-me como coordenador técnico e a acompanhar os escalões de formação.

 

Qual foi a abordagem que o HC Turquel teve consigo para voltar a treinar a equipa?

Com a vontade de sair do Nelson Lourenço a direção viu-se forçada a encontrar um substituto e como já trabalhámos juntos muito tempo tudo surgiu com bastante naturalidade.

 

A resposta foi imediata? Em que é que pensou quando tomou a decisão?

Não tinhamos muito tempo a perder, pois os jogos estavam já aí, e, depois de uma conversa tranquila com a minha família, pensei que talvez fosse o melhor para o clube regressar uma vez que conhecia bastante bem a equipa e o campeonato que disputávamos.

 

Quais foram os objetivos que lhe pediram quando regressou?

Tentar garantir a manutenção na 1.ª divisão.

 

O que é que pediu à equipa na primeira vez que falou com o plantel depois do regresso?

Tentámos passar a mensagem que fomos nós que nos pusémos numa situação dificil e que teriamos de ser nós a sair dela. Era importante treinar com confiança, ambição e foco no jogo seguinte prepararando-o o melhor possivel.

 

A equipa ficou a 3 pontos da descida, e fez uma das piores épocas desde que está na 1.ª Divisão. O que é que correu mal e o que é que faltou à equipa?

O campeonato nacional da 1.ª divisão está a ficar cada vez mais profissionalizado e com planteis mais preparados para a competição. Uma equipa como a nossa, que gere um orçamento reduzido e controlado com umalocalização geográfica longe dos grandes centros, terá sempre dificuldades acrescidas. Na primeira volta desperdiçámos alguns pontos em casa e numa prova com este grau de dificuldade é o suficiente para ficarmos numa situação mais complicada.

 

Sente que a mudança de treinador a meio da época influenciou a parte psicológica da equipa?

Não acredito em milagres nem sou supersticioso. Creio que a tomada de decisão para uma saída deve partir sempre do treinador que lidera o processo de treino e numa situação em que sente que a mensagem já não está a passar.

Aliás, se reparamos, durante este ano na 1.ª divisão existiram 4 mudanças de treinadores. Duas delas desceram de divisão e outra terminou mais afastada do título do que quando começou. É verdade que em Turquel as coisas correram bem mas a equipa viu-se reforçada do João Souto que fez uma segunda volta com bastante influência no rendimento da equipa. O que fizémos foi dar continuidade ao trabalho feito pelo Nelson colocando o nosso cunho pessoal à medida que nos deparávamos com o trabalho diário da equipa.

 

Houve algum momento ou alguma situação em que sentiu que a equipa não ia deixar fugir a manutenção? Qual foi o momento chave?

Face ao calendário que tínhamos, teríamos de ser fortíssimos fora de casa e a verdade é que nesse capítulo fomos muito competentes e terminámos como a 5.ª melhor equipa na 2.ª volta. Queríamos muito ter vencido em Paço de Arcos mas a verdade é que foi um jogo onde perdemos identidade e a oportunidade de fazer uma reta final mais tranquila. Felizmente, à exepção deste jogo, e do 6.º classificado para baixo, conquistámos pontos a todos. O momento chave passou pela vitória em Tomar num jogo em que muitos de nós nunca tinha disputado 50 min que podiam ditar uma descida ou manutenção, mas no qual mostrámos uma maturidade competitiva ajustada ao momento e carimbámos a difícil mas merecida manutenção.

 

Como descreveria esta época e, sobretudo, a meia-época em que esteve na equipa?

Foram 4 meses marcados pela pressão da tabela classificativa onde o facto de termos muito pouca margem de erro nos obrigava a lidar de forma positiva com essa situação. Todos os jogadores, sem excepção, se empenharam, se mantiveram unidos e onde fomos crescendo coletivamente treino a treino e jogo a jogo.

 

Se por um lado, esta foi uma das piores épocas no principal escalão nacional, por outro bateram o recorde do clube de temporadas consecutivas na 1.ª Divisão. Qual é a sensação de ter estado em grande parte deste recorde assim como no regresso ao principal escalão?

Este é um feito do qual muito me orgulho, mas que precisaríamos de muitos parágrafos para podermos falar de todos os que contribuíram para este feito.

Foi difícil subir, não o conseguimos às primeiras, mas penso que mesmo ainda na segunda divisão já nos preparávamos para nos tornarmos um clube de primeira. Fomos crescendo com os erros, nunca perdemos a nossa linha orientadora e mantivemo-nos sempre fiéis aos nossos princípios. É verdade que fizémos umas épocas melhores do que outras e todos gostaríamos de fazer mais e melhor, mas um clube de uma aldeia poder estar consecutivamente entre os grandes naquele que é o melhor campeonato do mundo e que recebe ano após ano os melhores jogadores e treinadores, deve ser um motivo de orgulho para todos os turquelenses. Que venham muitos mais!

 

Anunciada está já a saída de alguns jogadores. E quanto à continuidade do treinador na liderança da equipa na próxima temporada, já há alguma resposta? Já houve proposta?

Tudo aponta para que continue como treinador. Todos os jogadores que saíram foram convidados a continuar mas a verdade é que são decisões muito pessoais e que a nós só nos compete perceber, apoiar e agradecer tudo o que fizeram pelo clube. Desejar-lhes que encontrem aquilo que procuram e, à exepção das situações em que nos possamos defrontar, estaremos sempre a torcer por eles.

 

Os adeptos podem esperar a chegada de algum atleta da formação à equipa principal?

O H.C.Turquel desde sempre tem colocado jogadores da sua formação na equipa principal e para o ano não será exepção. O Gonçalo Duarte fará parte do plantel pincipal e teremos mais 3 juniores a acompanhar diariamente a nossa equipa. A verdade é que cada vez mais o campeonato da 1.ª divisão se afasta em termos competitivos da realidade dos campeonatos nacionais de sub 20. Se nos lembrarmos da transição júnior/sénior do Vasco Luís, do Daniel Matias ou do Samuel Santos, a verdade é que tiveram a tarefa muito mais facilitada do que os juniores de agora,uma vez que a fizeram para uma equipa que participava na segunda divisão e onde eles puderam consolidar rotinas e aprendizagens.