Deslocação do HCT ao Dragão Caixa para defrontar o F.C. Porto/Fidelidade, um mês e meio depois da sua última vitória (3-5 em Saint Omer, em jogo da 2ª mão dos oitavos-de-final da Taça CERS) a 13 de janeiro, ainda na “era” Jorge Godinho. De lá para cá, os agora comandados de Nelson Lourenço, somaram cinco derrotas (Valongo, Paço de Arcos, Riba d’Ave, Breganze e Benfica) e dois empates (Braga e Barcelos em casa), na série sem vencer mais longa desde o início da temporada. Por seu turno, a verdadeira “constelação de estrelas” que é o Porto do catalão Guillem Cabestany, desde o jogo da primeira volta em Turquel, baqueou em Barcelos (derrota por 3-2) e na Luz (derrota por 6-2), descendo à terceira posição, a dois pontos do líder Benfica. O encontro foi extremamente interessante e o HCT mostrou desde início sinais muito positivos para os meses competitivos que se avizinham, rubricando uma exibição personalizada, naquele que talvez seja o pavilhão em Portugal mais complicado de atuar para os adversários. Apesar de os da casa terem chegado ao 3-0 ainda na primeira parte, a equipa de Nelson Lourenço nunca se desintegrou e cumpriu o plano de jogo na íntegra, intranquilizando o Porto ao reduzir para 3-1 antes do descanso e a conseguir durante muito tempo manter o score em 4-2 durante o segundo tempo. Contudo, não foi possível aproximar mais do que dois golos à menor, até ao 5-3 final. O guardião Marco Barros “Tuga” esteve em bom plano na baliza alvinegra, efetuando duas mãos cheias de boas intervenções e foi, conjuntamente com o capitão, Vasco Luís (“bisou”), um dos destaques do encontro.

Primeira parte com entrada a frio dos turquelenses, dado que logo aos dois minutos Hélder Nunes recebeu uma bola na direita do seu ataque e, quando tentava assistir um colega ao segundo poste, fez a bola embater no patim de Vasco Luís que, inadvertidamente colocou a “redondinha” na sua própria baliza. A equipa alvinegra entrou no jogo praticamente a perder, mas nunca se desconjuntou e sempre que conseguiu passar a primeira linha defensiva do Porto, criou perigo para a baliza do gigante Nelson Filipe. Ainda assim, das vezes que lá foi, apesar de ter estado perto de marcar, nunca materializou as oportunidades em golo. Com dezasseis minutos jogados, num lance rápido desenrolado pela direita do ataque portista, Luís Silva derrubou de forma negligente Gonçalo Alves e viu uma cartolina azul tão clara como justa. Chamado à conversão do respetivo livre direto, o especialista Hélder Nunes não enjeitou a possibilidade de “bisar” e colocar a sua equipa a vencer por 2-0. Quatro minutos depois, num ataque rápido bem gizado, Alvarinho descobriu Telmo Pinto no coração da área, vindo de trás, e este último colocou a bola por cima do ombro direito de Tuga, fazendo o 3-0. O resultado era pesado para os visitantes, mas estes não baquearam e conseguiram reduzir dois minutos depois, com Vasco Luís a ultrapassar Nelson Filipe na conversão de uma grande penalidade, depois de ele mesmo ter sido derrubado na área de forma clara pelo catalão Ton Baliu. Ao intervalo o 3-1 que se registava no placard eletrónico mantinha os “brutos dos queixos” dentro da discussão do jogo.

No segundo tempo o Porto entrou com tudo e “tomou de assalto” a baliza de Tuga, utilizando de forma recorrente as poderosas meias-distâncias do capitão Hélder Nunes e de Reinaldo Garcia. Aos cinco minutos, num lance fulminante, foi mesmo o argentino Reinaldo Garcia a apontar o golo da tarde, com um “míssil” do meio da rua, que só parou no ângulo superior esquerdo da baliza de Tuga e que fez o momentâneo 4-1. A hipótese dos visitados embalarem no marcador pairava no ar, mas no minuto seguinte André Pimenta e Pedro Vaz tiveram uma combinação magistral na direita do seu ataque e o primeiro assistiu o segundo para o 4-2, num tento de belo efeito. Os portistas passaram de uma situação confortável para uma outra pouco cómoda, tendo em conta que não conseguiram “disparar” no marcador e essa intranquilidade refletiu-se nos minutos seguintes, com os da aldeia do hóquei a defenderem com “unhas e dentes” a sua baliza e a conseguirem chegar bem perto da baliza de “Filipão”. Nesta fase do jogo Vasco Luís atirou ao poste e André Moreira, isolado, permitiu boa intervenção ao guardião da casa. Não marcaram os turquelenses nas oportunidades que dispuseram e pagaram bem cara a ineficácia, pois a sete minutos do fim, num dos poucos contra-ataques 2x1 concedidos pelos forasteiros, Rafa assistiu Ton Baliu na direita e este, perante a oposição de Tuga, atirou a contar para fazer o 5-2 e dar uma “machadada” nas aspirações visitantes. Até final houve oportunidades de parte a parte, Jorge Silva esteve perto de marcar por diversas ocasiões, mas não o conseguiu e quem reduziu foi mesmo o Turquel, com Vasco Luís a libertar-se precisamente de Jorge Silva na tabela, a fletir para o meio, e a disparar de fora da área para “bisar” e fazer o 5-3. Faltavam apenas oito segundos para o término do encontro, mas a partida não terminaria sem alguma polémica, dado que na reposição Gonçalo Alves avançou pela direita do seu ataque, enganou Tuga e fez mais um golo, mas este viria a ser invalidado, pois, por lapso da mesa, o cronómetro não andou sequer um segundo desde o reinício do encontro, o que levou a dupla de arbitragem de Lisboa, composta por Luís Peixoto e João Duarte, a voltar atrás e a refazer os oitos segundos, com ambos os conjuntos, por uma questão de cortesia e com o resultado feito, a abdicarem do ataque à baliza contrária.

Ficha Técnica:

Local: Dragão Caixa - Porto

Dia/Hora: 24 de fevereiro de 2018, às 15H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (17ª jornada)

Árbitros: Luís Peixoto (Lisboa), João Duarte (Lisboa), José Pereira [3º Árbitro] (Porto) e Pedro Silva [4º Árbitro] (Porto)

F.C. Porto/Fidelidade: [10] Nelson Filipe (GR), [78] Hélder Nunes (C) (2), [57] Reinaldo “Nalo” Garcia (1), [77] Gonçalo Alves, [9] José “Rafa” Costa, [15] Jorge Silva, [88] Anton “Ton” Baliu (1), [5] Telmo Pinto (1) e [47] Álvaro “Alvarinho” Morais. Não jogou: [1] Carles Grau (GR)

Treinador: Guillem Cabestany

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz (1), [4] Daniel Matias, [9] Vasco Luís (C) (2), [7] André Moreira, [22] Luís Silva, [24] André Pimenta, [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus. Não jogou: [10] Samuel Santos (GR)

Treinador: Nelson Lourenço

Faltas de Equipa: 8-4

Disciplina: Cartão Azul a [22] Luís Silva (HCT).

Resultado ao intervalo: 3-1

Resultado Final: 5-3

No próximo sábado, dia 3 de março de 2018 pelas 21 horas, o HCT recebe o Sporting C.P. de Paulo Freitas no Gimnodesportivo de Turquel. Os leões são a melhor defesa do campeonato, com apenas 25 golos sofridos, seguem na segunda posição, um ponto atrás do Benfica e não quererão deixar qualquer ponto na aldeia do hóquei. Por seu turno, a equipa de Nelson Lourenço fecha o ciclo com os três grandes, antes da difícil viagem até Itália para defrontar o Breganze na 2ª mão dos quartos-de-final da Taça CERS. Na primeira volta no Pavilhão João Rocha em Alvalade o HCT averbou a maior derrota da temporada até ao momento, cedendo por claros 7-1, com o jovem Tiago Mateus a marcar o tento de honra dos visitantes. Será um encontro de grau de dificuldade máximo para os turquelenses, mas em casa, junto dos seus adeptos, os alvinegros poderão ter uma palavra a dizer na tentativa de ficarem com pontos em Turquel.

Foto: Fábio Poço/Global Imagens