Primeiro jogo fora de portas na segunda volta para o HCT e a deslocação a Paço de Arcos revestia-se de importância extrema para ambos os conjuntos, mas principalmente para os visitados, que pretendiam distanciar-se do trio de baixo da classificação, composto pelos recém-promovidos Grândola, Infante Sagres e Braga e em simultâneo colocarem-se a apenas um ponto dos alvinegros. Por seu lado os turquelenses queriam evitar essa aproximação, tentando os seus primeiros três pontos fora de portas. O encontro foi ritmado desde o início, mas os visitantes rubricaram um primeiro tempo muito abaixo das suas possibilidades, dando sempre de barato a meia-distância ao Paço de Arcos, principalmente ao seu “bombardeiro”, Gonçalo Nunes, indo para o intervalo com uma desvantagem impensável de 4-1. No segundo tempo os comandados de Jorge Godinho tiveram de subir as suas linhas defensivas, encostaram o PA às “cordas” e ao seu último reduto defensivo, mas o melhor que conseguiram foi reduzir diferenças até ao 5-3 final, não levando qualquer ponto do “Casablanca”.

Primeira parte atípica por parte dos de Turquel, que entraram de forma muito apática no jogo e permitiram que o Paço de Arcos impusesse um ritmo alto e principalmente que conseguisse stickar de média e longa distância com muita frequência, deixando Tuga em “xeque” na sua baliza. Logo aos dois minutos de jogo, Gonçalo Nunes recuperou uma bola a André Pimenta em zona subida, fletiu para o meio e disparou de forma indefensável, inaugurando o marcador perante a passividade da defesa alvinegra. Três minutos depois, o mesmo Gonçalo Nunes rasteirou André Pimenta de forma ostensiva no meio-campo e viu a cartolina azul. O capitão dos forasteiros, Vasco Luís, avançou para a tentativa de transformação do devido livre direto mas em duas tentativas não conseguiu fazer golo porque o guardião Diogo Almeida se mexeu em ambas as situações, tendo visto também ele a cartolina azul. O guarda-redes suplente, Diogo Rodrigues, conhecido na “gíria hoquista” por “Matraco”, entrou para o confronto com Vasco Luís e levou a melhor. Os turquelenses ficaram a jogar em dupla superioridade numérica de 5x3, mas demoraram a acertar com as redes do PA e apesar de terem conseguido a igualdade a uma bola (assistência aérea de André Pimenta e desvio oportuno ao segundo poste de André Moreira) ficaram com pouco tempo para atacarem a inferioridade numérica 5x4 e o empate não se desfez. Imediatamente após ficarem a jogar de novo em igualdade numérica os da casa conseguiram uma transição e Nelson Ribeiro “cavou” uma cartolina azul a Vasco Luís, sendo que na transformação do respetivo livre direto Gonçalo Nunes disparou um “míssil” para o ângulo superior esquerdo da baliza de Tuga, não dando qualquer hipótese de defesa ao guardião alvinegro. Sete minutos depois o mesmo Gonçalo Nunes, numa das suas especialidades, atirou muito forte desde o meio-campo, a bola, na confusão, bateu nas caneleiras de Daniel Matias e anichou-se no fundo da baliza de Tuga. Era o “hat-trick” do camisola 33 da equipa da linha e o terceiro golo sofrido pelos turquelenses de fora da área. Menos de dois minutos depois, André Centeno fez uma incursão pela direita do seu ataque, simulou a meia-distância e viu Tuga completamente fora da baliza, o guarda-redes do Turquel parece ter sido impedido de se deslocar por Nelson Ribeiro e Centeno atirou de forma enrolada para a baliza deserta, fazendo um golo que parece ter sido precedido de irregularidade, mas que a dupla de arbitragem decidiu validar. Com o impensável resultado de 4-1, favorável aos da casa, chegou o descanso, e havia muito a retificar para os da aldeia do hóquei.

A entrada no segundo tempo, com toda a naturalidade, teve tendências diferentes, o Paço de Arcos alargou o seu jogo em ataque e tentou longas trocas de bola, gerindo a vantagem de três golos que trazia do intervalo e o HCT subiu as suas linhas defensivas e foi desde cedo em busca de algo mais no jogo. Consegui-o aos seis minutos, num ataque rápido conduzido por Vasco Luís, que assistiu o jovem Tiago Mateus nas costas da defesa contrária e este voltou a mostrar todo o seu instinto predador, ao anotar o 4-2, colocando a sua equipa de novo na discussão do jogo. Logo a seguir, Jorge Godinho lançou Janeka em rinque e a equipa ganhou maior profundidade, subiu ainda mais as suas linhas defensivas e conseguiu encostar o Paço de Arcos lá atrás. Os “brutos dos queixos” construíram nesta fase várias oportunidades, com Janeka por duas vezes e Daniel Matias por uma a estarem perto do golo, sendo que numa delas Janeka atirou uma “bomba” à trave da baliza de Matraco. Seria o 4-3, mas como a bola não entrou, foi o Paço de Arcos a aproveitar o desperdício forasteiro e, a nove minutos do final do encontro, numa transição em igualdade numérica, conseguiu soltar Rui Pereira em zona frontal, este stickou forte com a bola a bater na luva esquerda de Tuga e a ressaltar de forma caprichosa para dentro da baliza dos “brutos dos queixos”. Estava feito o 5-2 e o golpe foi demasiado duro para os de Turquel, que ainda se tentaram recompor, com alterações constantes no seu cinco, de forma a refrescar os jogadores para estarem mais aptos para a pressão a exercer, mas o melhor que conseguiram fazer foi reduzir para 5-3, numa recuperação em zona subida por parte de André Pimenta que voltou a assistir um colega seu neste jogo, desta feita Janeka, ele que contornou Matraco e encurtou distâncias. Faltavam cerca de seis minutos e a equipa e os muitos adeptos turquelenses presentes no Casablanca ainda acreditaram que seria possível chegar pelo menos ao empate, mas a formação alvinegra não mais encontrou o caminho da baliza contrária e poderia mesmo ter sofrido mais um tento, depois de Vasco Luís ter visto nova cartolina azul no jogo (enganchou André Centeno) e de Gonçalo Nunes ter desperdiçado a conversão do devido livre direto, enviando mais um “tiro” ao poste esquerdo da baliza de Tuga. No final, a derrota por 5-3 foi um castigo duro e pesado, que teve maior expressão pelo fraco desempenho da equipa orientada por Jorge Godinho nos primeiros vinte e cinco minutos.  

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão do Clube Desportivo de Paço de Arcos

Dia/Hora: 3 de fevereiro de 2018, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (15ª jornada)

Árbitros: Rui Torres (Minho), José Pinto (Porto), Nelson Melo [3º árbitro] (Lisboa), Marco Lopes [4º Árbitro] (Lisboa)

C.D. Paço de Arcos: [10] Diogo Almeida (GR), [22] André Centeno (C) (1), [33] Gonçalo Nunes (3), [4] Rui Pereira (1), [5] Nelson Ribeiro, [1] Diogo Rodrigues “Matraco” (GR), [8] Diogo Silva e [2] Tiago Gouveia. Não jogaram: [14] Daniel Homem e [30] Bruno Frade.

Treinador: Luís Duarte

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C), [7] André Moreira (1), [22] Luís Silva, [4] Daniel Matias, [58] Tiago Mateus (1) e [57] João Silva “Janeka” (1). Não jogou: [10] Samuel Santos (GR).

Treinador: Jorge Godinho

Faltas de Equipa: 8-8

Disciplina: Cartão Azul a [33] Gonçalo Nunes (CDPA), [10] Diogo Almeida (GR) (CDPA) [9] Vasco Luís (HCT) [2X].

Resultado ao intervalo: 4-1

Resultado Final: 5-3

No próximo sábado, 10 de fevereiro de 2018, o campeonato parará para dar lugar aos 16 Avos-de-Final da Taça de Portugal. Em sábado de “Entrudo”, os turquelenses deslocam-se ao terreno do líder da 2ª Divisão – Zona Norte, o Riba d’Ave H.C., formação que desceu à 2ª Divisão em 2016/2017, descida essa que se consumou apenas na secretaria, por irregularidades dos minhotos na inscrição de um elemento em várias fichas de jogo ao longo da época que prescreveu. O embate jogar-se-á a partir das 16 horas, no Parque das Tílias em Riba d’Ave, e será com toda a certeza mais uma partida de grau de dificuldade muito elevado para os turquelenses.

Foto de Arquivo: Carmo Honório