Foi uma resposta cabal aquela que a equipa sénior do HCT deu no encontro da 2ª Mão dos oitavos-de-final da Taça CERS, na visita ao terreno do líder do campeonato francês, o SCRA Saint Omer, onde atuam Xavier Lourenço e Eduardo Leitão (formados no nosso clube) e também Pedro Chambell, filho da antiga glória alvinegra, António Chambell. Os comandados de Jorge Godinho provaram a sua qualidade por terras gaulesas, mostraram inteligência na gestão do marcador, e estiveram sempre cientes que a vantagem de 2-1 trazida da 1ª Mão em Turquel (jogada no início de Dezembro de 2017) poderia jogar a seu favor e no subconsciente dos jogadores da equipa do Norte de França. O “Complexe Sceneo”, casa emprestada do Saint Omer com capacidade para albergar cerca de 1500 espetadores, foi a “pedra de toque” que traçou um cenário magnífico, engalanado por cheerleaders vindas diretamente da Bélgica, transmissão televisiva em canal regional, cobertura mediática da imprensa local e um espetáculo impar de luz e cor, relativamente a tudo o que se faz em Portugal para promoção da modalidade. O exemplo a seguir foi também dado dentro das quatro tabelas pelas três equipas em rinque, com o HCT a mostrar qualidade para controlar as incidências, para não se deixar abater com o 1-0 dos franceses e para conseguir virar os acontecimentos ainda antes do intervalo (1-2). No segundo tempo a formação alvinegra soube sofrer, esteve mesmo encostada lá atrás, mas foi tremendamente eficaz no contra-ataque, com André Moreira e o capitão Vasco Luís em plano de evidência na finalização, e com Tuga a revelar-se um autêntico muro na defesa da sua baliza. O resultado final cifrou-se em 3-5 (agregado de 4-7 no conjunto das duas mãos) e os quartos-de-final são uma realidade.

Primeira parte rasgadinha, com o HCT a entrar em rinque com uma postura assertiva, procurando não dar espaço ao adversário para sequer ver a sua baliza e com o Saint Omer a procurar o golo de forma algo desenfreada. As oportunidades foram escassas de parte a parte, mas o que apareceu foi resolvido ora por Tuga ora por Chambell e ambos os conjuntos acertaram no poste por uma vez no primeiro tempo. Do lado alvinegro foi André Moreira e do lado gaulês foi o franco-congolês Tom Mfuekani, com Tuga a tirar o ressalto de forma quase impossível em cima da linha de golo. Destaque para a cartolina azul (protestos) vista por André Moreira a meio do primeiro tempo, com o castigo a levar Xavier Lourenço para o cara a cara com Tuga na tentativa de transformação do livre direto, mas o atleta da equipa francesa, natural de Turquel, atirou ao lado. Em under-play os alvinegros aguentaram de forma estoica e passou o perigo em dois minutos. Os golos surgiram antes do intervalo, já dentro dos cinco minutos finais desta etapa inicial, e foram os franceses a inaugurarem o marcador, num lance infeliz de Luís Silva, que arriscou um passe em zona proibida e viu Ronan Ricaille intercetar a bola para a endossar a Mathieu Le Roux, um dos melhores jogadores franceses da atualidade, com este a dominar o esférico e a encostar para bater Tuga pela primeira vez e levar ao delírio um Sceneo ávido de sucessos. Os franceses tinham a eliminatória empatada e acreditavam que era possível chegar aos quartos-de-final, mas a equipa de Jorge Godinho reagiu de pronto, com André Pimenta no minuto seguinte a stickar de longe e André Moreira a desviar de forma oportuna para o 1-1, perante a impotência de Chambell. Os da casa sentiram o toque e dois minutos depois Le Roux perdeu uma bola em zona proibida para André Moreira e acabou por enganchar o camisola sete turquelense. Cartão azul para o camisola quatro francês e livre direto para Vasco Luís tentar converter. O capitão turquelense não se fez rogado e “disparou um míssil” para o ângulo superior direito da baliza de Chambell, levando a sua equipa em vantagem (1-2) para o descanso.  

No segundo tempo os da casa entraram com tudo e encostaram os “brutos dos queixos” às cordas, numa fase de grande ascendente francês, fase essa que a equipa que viajou de Turquel teve de superar com muita união e sacrifício. Um pouco contra a corrente do jogo, e num contra-ataque fulminante por parte dos visitantes, Daniel Matias descobriu André Moreira ao segundo poste e o atleta natural de Vila Franca de Xira atirou a contar para o seu “bis” e para fazer o 1-3, desferindo um rude golpe nas aspirações gaulesas. O ambiente na bancada acabou por esfriar e só voltaria a aquecer alguns minutos depois quando Vasco Luís atirou ao poste da baliza do recém-entrado Edu Leitão na tentativa de conversão de novo livre direto, desta feita a castigar a 10ª falta de equipa do Saint Omer. Na sequência imediata do lance, na transição rápida, o capitão dos da casa, o catalão Marçal Cuenca, atirou de meia distância de forma violenta e fez o 2-3, que voltava a dar alento aos visitados. Mas mais um erro de transição de Mathieu Le Roux, que colocou a bola de forma inadvertida no stique de Luís Silva, levou a que este último assistisse Vasco Luís ao segundo poste para o capitão alvinegro bater Edu Leitão com um remate seco de primeira, “bisando” e fazendo o momentâneo 2-4. O Saint Omer caiu de forma abrupta no encontro e começou a procurar a baliza de Tuga de forma incessante, demonstrando alguma ansiedade. Esse momento do jogo levou a que o HCT, em mais um grande contra-ataque, conseguisse fazer o 2-5, novamente com Luís Silva na assistência, desta vez para André Moreira, que com um movimento de classe fez um pequeno “chapéu” a Edu Leitão, completando o seu “hat trick”, dando um verdadeiro “golpe de misericórdia” nas crenças gaulesas. Até final o Saint Omer ainda reduziu para 3-5, por intermédio da jovem promessa francesa Quentin Podevin, após assistência de Xavier Lourenço, mas o terceiro golo dos visitados apenas serviu para atenuar a diferença no marcador e no final quem festejou foi a estrutura alvinegra, incluindo os cerca de 30 adeptos turquelenses presentes no Complexe Sceneo, entre emigrantes e pessoas que viajaram desde Turquel. Noite épica e histórica para o Hóquei Clube de Turquel, num cenário magistral, com um suporte organizacional sem precedentes a nível mundial no panorama do Hóquei em Patins.

Ficha Técnica:

Local: Complexe Sceneo, Saint Omer (França)

Dia/Hora: 13 de janeiro de 2018, às 20:30H locais (19:30H em Portugal Continental)

Competição: Oitavos-de-Final da Taça CERS (2ª Mão) [2-1 na 1ª Mão]

Árbitros: Miguel Diaz (Espanha), Alvaro De La Hera (Espanha)

S.C.R.A. Saint Omer: [1] Pedro Chambell (GR), [6] Marçal Cuenca (C) (1), [41] Xavier “Xavi” Lourenço, [4] Mathieu Le Roux (1), [9] Jacobo Mantiñan, [10] Eduardo “Edu” Leitão (GR), [5] Ronan Ricaille, [7] Tom Mfuekani, [2] Quentin Podevin (1) e [8] Givency Tshilombo. 

Treinador: Fabien Savreux

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C) (2), [7] André Moreira (3), [4] Daniel Matias e [22] Luís Silva. Não jogaram: [10] Samuel Santos (GR), [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus.

Treinador: Jorge Godinho

Faltas de Equipa: 6-12

Disciplina: Cartão azul a [7] André Moreira (HCT) e [4] Mathieu Le Roux (SCRASO).

Resultado ao intervalo: 1-2

Resultado Final: 3-5

Resultado Agregado da Eliminatória: 4-7

No próximo mês de fevereiro, mais precisamente no dia 17 pelas 21h (mais uma hora em Itália), o HCT disputará a 1ª Mão dos quartos-de-final da Taça CERS, frente aos italianos dos Faizane Lanaro Breganze de Itália, equipa recheada de jogadores internacionais, contando nas suas fileiras com um argentino, um espanhol, um italo-argentino, um brasileiro e alguns internacionais italianos. A equipa orientada pelo também argentino Diego Mir (chegou ao clube há uma semana atrás) está na 4ª posição na Série A1 italiana, com 28 pontos somados, menos dez que o líder Forte dei Marmi. Na Taça CERS, a equipa da região de Vicenza, eliminou Nantes de França (16 Avos-de-Final) e Dornbirn da Áustria (Oitavos-de-Final). A 2ª Mão joga-se no Palaferrarin de Breganze em Itália a 10 de março, pelas 20h locais (menos uma hora em Portugal Continental).   

Nesta quarta-feira, 17 de janeiro pelas 21 horas, os turquelenses colocam em dia a jornada do Nacional da 1ª Divisão, fazendo mais uma viagem, desta feita até Valongo para defrontarem os comandados de Miguel Viterbo. Os valonguenses são uma equipa jovem e ambiciosa e no seu pavilhão não costumam dar tréguas aos seus adversários, pelo que será sempre um jogo muito complicado para os turquelenses. As duas equipas defrontaram-se por duas vezes na pré-temporada, o Valongo venceu o HCT por concludentes 10-3 na meia-final do Torneio Cidade de Valongo e duas semanas depois no Torneio Dr. Joaquim Guerra em Turquel o empate a três bolas foi o resultado final. Perspetiva-se um grande jogo, com equilíbrio, emoção e espera-se que desta feita o HCT saia por cima.

Fotos: Gordon Morrison