Clássico da Zona Centro a meio da semana no Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel, depois de HCT e Tomar terem tido compromissos europeus no fim-de-semana. Ambiente escaldante nas bancadas com as respetivas claques, “Brutus 1964”, e “Legião Templária” a esgrimirem argumentos, transportando o ritmo imposto fora das quatro tabelas lá para dentro. O encontro marcou o regresso de Paulo Passos e de Alexandre Marques “Xanoca” a uma casa que já foi sua e mostrou duas equipas em contraciclo, os alvinegros à procura de estabilidade emocional para conseguirem alguns resultados positivos e os nabantinos, que nos últimos seis jogos apenas averbaram uma derrota (1-5 em casa frente à Oliveirense) a surgirem na aldeia do hóquei com a moral em alta. No primeiro tempo os da casa entraram com tudo, mostrando ao que vinham e tentaram rapidamente “virar” o momento menos bom que atravessam. No entanto, apesar de terem ido com um golo à maior para o descanso (1-0) e de não terem dado grandes veleidades defensivas ao adversário, os “brutos dos queixos” pecaram na finalização, desperdiçaram uma penalidade e um livre direto e atiraram duas bolas aos postes, deixando o Tomar acreditar que era possível dar a volta ao marcador. A segunda parte foi quezilenta, os forasteiros igualaram de livre direto, os da casa voltaram a desperdiçar duas bolas paradas, mas conseguiram adiantar-se por Luís Silva, ainda que um erro defensivo primário por parte dos alvinegros, bem perto do final, tenha dado um empate a duas bolas que serviu bem melhor os interesses dos tomarenses, num jogo com arbitragem complicativa (os atletas não facilitaram em nada o trabalho da equipa de arbitragem) e de “apito fácil” da dupla que viajou de Aveiro, composta por António Santos e Manuel Oliveira.

Primeira parte com entrada fortíssima do HCT, mostrando desde cedo ao que vinha, pressionando a segunda linha ofensiva do Tomar e não dando hipóteses aos visitantes de chegarem perto de Tuga para finalizarem. Ainda assim, logo no segundo minuto de jogo, João Sardo caiu no chão num lance com Daniel Matias, numa ação em que o camisola cinco nabantino parece simular a queda, mas Manuel Oliveira, um dos árbitros do encontro, parece ter sido enganado e apontou de forma surpreendente para a marca de livre direto. Este foi um lance que marcou todo o cariz do encontro, com os jogadores, de parte a parte e até ao final da partida a caírem inúmeras vezes para tentarem “cavar” faltas ou cartões azuis. Na tentativa de transformação do respetivo “castigo”, Hernâni Diniz não conseguiu superar a excelente oposição de Tuga e estava dado o mote para uma noite de qualidade do guardião turquelense na guarda das suas redes. No mesmo minuto, André Moreira caiu na área contrária, depois de ligeiro toque de João Lomba, e penalty que o capitão turquelense, Vasco Luís, não conseguiu transformar em golo, permitindo boa intervenção ao guardião Diogo Fernandes. Na recarga, vindo lançado de trás e assistido por Vasco Luís, Daniel Matias atirou à trave. Aos dez minutos de jogo o marcador finalmente desbloqueou, com Daniel Matias em plano de evidência, num ataque rápido, a receber um passe de André Moreira e a disparar de meia-distância para inaugurar o marcador. A quatro minutos do intervalo, o mesmo Daniel Matias, na tentativa de transformação do livre direto a castigar a 10ª falta de equipa do Tomar não conseguiu ultrapassar Diogo Fernandes e ao intervalo a vantagem 1-0 era magra, para aquilo que os visitados tinham produzido. 

No segundo tempo o Tomar cresceu no jogo e logo aos seis minutos Paulo Passos caiu na frente de André Pimenta, com a 10ª falta de equipa a surgir também para o lado alvinegro. Chamado à conversão do devido livre direto João Sardo, emprestado pelo Benfica ao Tomar, ultrapassou Tuga e igualou o marcador a uma bola, um resultado que, até então, os forasteiros não justificavam. A dez minutos do fim Pedro Martins viu a única cartolina azul do jogo, por derrube a Luís Silva, mas Vasco Luís, mais uma vez, não conseguiu ultrapassar a oposição de Diogo Fernandes na tentativa de transformação do livre direto, o guardião visitante que a dada altura parecia intransponível. No mesmo minuto, com os da casa a jogarem com mais um elemento em rinque, “caiu” a 15ª falta de equipa do Tomar e em novo livre direto, Luís Silva voltou a não conseguir “furar” a oposição de Diogo Fernandes, desperdiçando a quarta bola parada em quatro tentativas para os visitados. No entanto, na sequência do lance, o camisola 22 simulou um passe ao segundo poste para Daniel Matias e ludibriou o guardião nabantino, atirando para o primeiro poste, fazendo o 2-1. Foi a explosão de alegria no pavilhão, num momento de pura classe do atleta natural do Valado dos Frades. A partir de aqui o Tomar subiu as suas linhas defensivas, pressionou o primeiro momento de construção dos turquelenses, mas fê-lo muito mais com o coração do que com a cabeça. A equipa comandada por Jorge Godinho soube ter bola e em simultâneo continuou a procurar um terceiro golo, que lhe desse maior conforto para encarar os minutos finais do jogo. Contudo, a bola não entrou e a 15ª falta de equipa dos “brutos dos queixos” caiu a quatro minutos do fim, num lance em que mais uma vez João Sardo parece ele próprio fazer falta sobre André Moreira, lançando-se ao solo quase em simultâneo, queixando-se da face. O mesmo João Sardo avançou de novo para o frente a frente com Tuga no livre direto, mas desta vez não conseguiu ultrapassar o experiente guardião natural de Paço de Arcos, que defendeu a primeira e a segunda bola de forma fantástica, quando já estava deitado. Com menos de três minutos para jogar deu-se o momento do jogo, uma desatenção incrível da defesa turquelense, que colocou dois jogadores em cima de Ivo Silva, o portador da bola, e deixou João Sardo completamente solto dentro da área de Tuga. O capitão tomarense virou-se de frente para o jogo e só teve de assistir de forma fácil João Sardo que, de primeira, tal como mandam as regras, “bisou”, ultrapassou Tuga pela segunda vez no jogo, igualou o encontro a duas bolas e deu um valente “soco no estômago” no ânimo turquelense. Até final, Jorge Godinho lançou o jovem Tiago Mateus para a frente do guardião Diogo Fernandes e tentou de tudo para conseguir os três pontos, mas já não havia forças para lá chegar e no final foi a comitiva tomarense que festejou a igualdade.      

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel

Dia/Hora: 13 de dezembro de 2017, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (8ª jornada)

Árbitros: António Santos (Aveiro), Manuel Oliveira (Aveiro), Vera Fernandes [3º árbitro] (Coimbra), Bernardo Alves [4º Árbitro] (Coimbra)

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [4] Daniel Matias (1), [22] Luís Silva (1), [9] Vasco Luís (C), [7] André Moreira, [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta e [58] Tiago Mateus. Não jogaram: [10] Samuel Santos (GR) e [57] João Silva “Janeka”.

Treinador: Jorge Godinho

S.C. Tomar/IPT: [47] Diogo Fernandes (GR), [4] João Lomba, [5] João Sardo (2), [79] Alexandre Marques “Xanoca”, [9] Ivo Silva (C), [44] Hernâni Diniz, [20] Paulo Passos, [55] João Alves “Joka”, e [74] Pedro Martins. Não jogou: [10] Tiago Graça (GR).

Treinador: Nuno “Manel” Domingues

Faltas de Equipa: 18-19

Disciplina: Cartão Azul a [74] Pedro Martins (SCT/IPT).

Resultado ao intervalo: 1-0

Resultado Final: 2-2

No próximo sábado, 16 de dezembro de 2017 pelas 21:30 horas, o campeonato prossegue, com a 9ª jornada e com o HCT a deslocar-se ao reduto do 6º classificado, a Juventude Viana, equipa com a média de idades mais alta da 1ª Divisão e que faz da experiência a sua grande arma. Será um jogo intenso e difícil para os pupilos de Jorge Godinho, que terão de estar ao seu melhor nível no plano defensivo para levarem de vencida uma equipa “matreira” e com muita qualidade.  

Fotos de Arquivo: Carmo Honório