Depois de cinco resultados menos positivos, que culminaram com o empate desolador a oito bolas em casa frente ao Infante Sagres, o HCT deslocou-se a casa de outro clube recém-promovido à 1ª Divisão, o H.C.P. Grândola, primeira equipa alentejana a conseguir tal feito. Frente a um conjunto que tinha somado apenas um ponto (1-1 em casa frente ao Tomar) nas seis jornadas anteriores, os turquelenses estiveram na frente por três ocasiões (0-1, 1-2 e 2-3), mas nunca conseguiram segurar as vantagens alcançadas ou mesmo “disparar” no marcador e empataram (3-3) de novo, voltando a ser penalizados por erros defensivos primários e pela eficácia adversária nas bolas paradas. O momento menos positivo da equipa, que redundou na pouca confiança revelada em certos momentos chave do jogo, fizeram com que os comandados de Jorge Godinho regressassem a casa apenas com um ponto na bagagem e com o seu sexto jogo consecutivo sem vencer.

Primeira parte com entrada cautelosa de ambos os conjuntos, entrada essa que marcou a tendência durante todo o encontro, um hóquei lento e previsível de parte a parte e que só foi quebrado pelos rasgos individuais de alguns jogadores. Com pouco mais de três minutos jogados o HCT inaugurou o marcador, parecendo querer dar uma “stickada na crise”, por intermédio de André Moreira, que num momento individual, rompeu pela direita do seu ataque, disparou forte e a bola caprichosamente bateu no guardião contrário, Ricardo Piteira, para se anichar no fundo da baliza do Grândola. Melhor início Jorge Godinho não poderia querer. A equipa da casa, orientada por Nelson Mateus, mostrou sempre organização defensiva e muitas cautelas em ataque, nunca se desequilibrando quando tinha a bola. As oportunidades foram sendo escassas, mas lá apareciam, com Piteira a mostrar que está num bom momento na baliza dos alentejanos e com Tuga a ver uma bola embater na trave e passar por cima da linha de golo no maior susto que teve no terço inicial do primeiro tempo. Depois de algumas mexidas nos cincos e num lance confuso, Filipe Bernardino, o mais fantasista dos da casa, rompeu pelo meio do bloco defensivo alvinegro desde trás da baliza e, à meia volta, disparou para o golo, numa bola em que Tuga ainda tocou antes de entrar. Estava feito o 1-1 e esta foi a primeira explosão de alegria para os muitos adeptos presentes no Complexo Desportivo “Zeca Afonso”. Essa alegria desvaneceu-se quatro minutos depois quando Luís Silva, em mais uma jogada individual, rompeu pela esquerda do seu ataque e surpreendeu tudo e todos, incluindo Piteira, deixando a bola ao primeiro poste, no único espaço onde esta podia passar, fazendo o 1-2. O mesmo Luís Silva, um minuto volvido, teve oportunidade soberana para dilatar a vantagem visitante, mas na tentativa de transformação de uma grande penalidade, permitiu uma excelente intervenção a Piteira, ainda que ao intervalo prevalecesse a vantagem alvinegra.            

O segundo tempo teve os mesmos moldes, o HCT não quis forçar em demasia em busca do terceiro golo e cometeu o “pecado capital” de recuar em demasia as suas linhas. O Grândola, sem conseguir criar muito perigo junto da baliza de Tuga, foi-se acercando com um pouco mais de intensidade do último terço defensivo dos turquelenses e igualou a duas bolas aos oito minutos, num penalty convertido por Rúben Silva (Tuga voltou a tocar na bola), depois de um derrube de Vasco Luís a Filipe Bernardino no interior da área forasteira. O Turquel sentiu então que tinha de ir em busca de algo mais, mas foi sempre uma equipa muito previsível no seu ataque organizado, com a agravante de não ter conseguido sair em contra-ataque (mérito do Grândola). Foi em nova jogada individual que Vasco Luís rompeu pelo meio da defensiva grandolense e conquistou nova penalidade. O mesmo jogador assumiu então a responsabilidade na conversão do castigo e não vacilou perante Piteira, fazendo o 2-3 quando faltavam onze minutos para o final do encontro. A partir daqui os pupilos de Jorge Godinho tentaram controlar as incidências com longas trocas de bola, dando largura ao seu jogo, conseguiram os seus intentos, mas não tiveram arte nem engenho para dar uma “machadada” no jogo, alcançando um possível quarto golo. O Grândola cresceu, criou algum perigo de longa e meia distância, e, a cinco minutos do fim do encontro, numa segunda bola após defesa de Tuga, o jovem Tanaka domina a mesma com o pé e na sequência é derrubado por Vasco Luís à entrada da área alvinegra. A dupla de arbitragem não assinalou a primeira infração do jogador visitado e, pior do que isso, decidiu mostrar a cartolina azul ao capitão turquelense, perante a estupefação geral. Os protestos visitantes não tiraram Zezinho da marca do livre direto e o camisola 3 dos da casa mostrou frieza perante Tuga, fazendo o 3-3 final, em mais um empate desolador para os “brutos dos queixos”.   

Ficha Técnica:

Local: Complexo Desportivo Municipal José Afonso

Dia/Hora: 2 de dezembro de 2017, às 18H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (7ª jornada)

Árbitros: Jaime Vieira (Alentejo), Joaquim Sequeira (Lisboa), Helena Fresco [3º árbitro] (Alentejo), João Martins [4º Árbitro] (Alentejo)

H.C.P. Grândola: [88] Ricardo Costa “Piteira” (GR), [2] António Pereira “Tójó” (C), [39] Rúben Silva “Algarvio“ (1), [8] Filipe Bernardino (1), [3] José Gonçalves “Zezinho” (1), [7] José Bernardo “Tanaka”, [4] Hugo Santos “Carinhas” e [5] Márcio Rosa. Não jogaram: [10] Tiago “Titi” Pereira (GR) e [6] João Ferro.

Treinador: Nelson Mateus

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C) (1), [7] André Moreira (1), [22] Luís Silva (1) e [4] Daniel Matias. Não jogaram: [10] Samuel Santos (GR), [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus.

Treinador: Jorge Godinho

Faltas de Equipa: 8-9

Disciplina: Cartão Azul a [9] Vasco Luís (C) (HCT).

Resultado ao intervalo: 1-2

Resultado Final: 3-3

No próximo sábado, 9 de dezembro de 2017 pelas 21 horas, regressam as provas europeias, com o HCT a defrontar no Gimnodesportivo de Turquel o S.C.R.A. Saint Omer, atual líder do campeonato francês, clube onde atua o turquelense Xavier Lourenço, o guardião natural de Peniche Eduardo “Edu” Leitão, ele que fez grande parte da sua formação enquanto atleta no H.C. Turquel e ainda o outro guardião da equipa, Pedro Chambell, natural de Torres Vedras, filho da antiga glória nacional e também guardião do HCT, António Chambell. Será um jogo de grau de dificuldade muito elevado para os comandados de Jorge Godinho, que terão de colocar tudo em rinque para poderem alcançar um resultado que lhes permita discutir a eliminatória na 2ª mão em França em Janeiro de 2018.   

Fotos: HCTv