Jogo em casa a meio da semana depois do desaire (1-2) inesperado na 2ª Mão dos 16 Avos-de-Final da Taça CERS frente ao Genève R.H.C. Essa derrota, ainda assim não impediu o apuramento para os oitavos (6-5 para o HCT no agregado das duas mãos), mas receção à recém promovida equipa do Infante Sagres na 6ª ronda do Campeonato Nacional da 1ª Divisão tinha importância acrescida para “mudar o momento”. Esperava-se uma noite mais tranquila que a do sábado anterior e o 3-1 inicial parecia confirmar esse prognóstico. Pura ilusão, antes do intervalo o Infante empatou a três bolas e a equipa comandada por Jorge Godinho intranquilizou-se de tal maneira que na etapa complementar andou sempre atrás do resultado até um minuto do fim, altura em que passou para a frente do marcador com uns impensáveis 8-7. Ainda dentro desse último minuto, com livre direto a seu favor os turquelenses, por intermédio de Janeka, desperdiçaram a oportunidade e no momento imediato o camisola 57 alvinegro cometeu a 10ª falta de equipa dos visitados, com o inspirado João Candeias a fazer o 8-8 final na conversão do devido livre direto, naquele que foi um autêntico balde de água fria para todos os turquelenses.

Primeiro tempo atípico, com o Infante a colocar-se na frente do marcador aos dez minutos por intermédio de João Candeias, ele que aproveitou dois ressaltos na área e com apenas uma mão no stique fez o 0-1, perante a apatia dos atletas da casa, que não foram lestos a tirarem a bola da zona de perigo. O HCT sentiu o toque e foi atrás do prejuízo, materializando em golo a reação com Pedro Vaz a disparar e André Moreira (primeira parte inspirada) a desviar de forma sublime para o 1-1. Menos de um minuto depois o mesmo André Moreira ludibriou a oposição de Celso Silva na tabela de fundo, fletiu para dentro e bateu Joka Ferreira pela segunda vez, colocando em êxtase os adeptos nas bancadas. O reforço turquelense André Moreira estava mesmo endiabrado e dois minutos depois, num lance de contra-ataque 2x1, recebeu uma assistência de Vasco Luís e passou por Joka para fazer o seu “hat-trick”, colocando o score em 3-1, em três minutos completamente frenéticos por parte dos “brutos dos queixos”. A partir daqui pensou-se que a equipa iria estabilizar e avançar para uma exibição tranquila e consentânea com o real valor do conjunto de jogadores que o plantel ostenta. Puro engano, pois o grande momento no jogo foi “sol de pouca dura”. A seis minutos do descanso Pedro Vaz perdeu a bola no meio-campo para Tiago Pinheiro, este enrolou-se com ela, com Pedro Vaz e com Daniel Matias e conseguiu assistir Carlos André no segundo poste, completamente solto, que só teve de encostar para fazer o 3-2. Um golo incrivelmente consentido e que só deu força aos forasteiros. Nos últimos segundos da primeira parte, lance polémico na área turquelense, com a bola a ficar presa na camisola de Tuga, Paulo Baião assinalou golpe duplo, mas José Nave desfez a primeira sinalética do seu colega e apontou para a marca de grande penalidade, perante a incredulidade de todos os presentes. Quem não se importou com o barulho e com o alarido vindo das bancadas foi Tiago Ferraz que, com muita sorte à mistura, permitiu uma primeira defesa a Tuga e na recarga acertou nas “orelhas da bola”, com esta caprichosamente a bater no poste e a entrar. Ao intervalo o 3-3 penalizava a pouca estabilidade emocional dos turquelenses.          

A etapa complementar foi completamente atípica, logo nos primeiros segundos de jogo o Infante colocou-se na frente (3-4), num lance de ataque rápido em que Bruno Fernandes na esquerda assistiu Carlos André no meio, que só teve de encostar para fazer o seu “bis” e o 3-4, depois de Luís Silva e de Daniel Matias terem ido os dois à bola num momento inicial. Um erro primário que trouxe ainda mais inquietação a uma equipa desde logo nervosa e intranquila. Os visitados demoraram a reagir e só sete minutos depois, num fantástico contra-ataque 4x3, Daniel Matias e Luís Silva redimiram-se do erro anterior, com o primeiro a assistir de forma primorosa o segundo e o camisola 22 alvinegro a encostar fácil para um golo de belo efeito. No entanto, o empate durou apenas alguns segundos, já que logo depois João Candeias “bombeou” uma bola desde o meio-campo para o interior da área e Bruno Fernandes (não há certezas se desviou a bola) a tocar de forma subtil para fazer o 4-5. O jogo estava em toada de parada e resposta e dois minutos depois, novamente Luís Silva, num penalty a castigar falta de Celso Silva sobre o capitão Vasco Luís, a “bisar” com um remate seco e rasteiro. Não havia tempo para “respirar“ e um minuto volvido já o Infante se voltava a colocar na frente por 5-6, depois de nova grande penalidade, desta feita cometida por André Moreira (jogou a bola no chão junto a Tuga), que João Candeias não desperdiçou para poder “bisar” e voltar a pôr os nortenhos na frente do marcador. Como “não há duas sem três”, no mesmo minuto em nova penalidade (“agarrão” de João Candeias a Vasco Luís) Luís Silva completou o seu “hat-trick” e devolveu a esperança ao público da casa no 6-6. A partir daqui o encontro acalmou um pouco, mas o HCT teve uma fase no jogo de pouca sobriedade, com ataques muito curtos e abuso da meia-distância, o que não ajudou em nada a estabilizar as emoções e a trazer ao de cima a racionalidade. Aproveitou o Infante, que a oito minutos do fim, num lance em que Tiago Ferraz fugiu ao jovem Tiago Mateus e, assistido por Carlos André, não perdoou no “cara a cara” com Tuga, “bisando” e colocando o score nuns incríveis 6-7. Num jogo de contornos imprevisíveis e sem nada a perder, era hora de apostar tudo e Jorge Godinho lançou Vasco Luís e Janeka na partida, com resultados quase imediatos. A dois minutos do fim Vasco Luís em excelente jogada individual, tirou um adversário do caminho com uma simulação e disparou mais à frente para o 7-7 e, pouco depois, já dentro do último minuto, novo penalty por novo “agarrão”, desta feita de João Pinheiro a André Moreira, e Vasco Luís a fuzilar Joka para o “bis” do capitão alvinegro e para uma vantagem inédita (8-7) no marcador na segunda metade. No entanto a ação não ficou por aqui, pois ambas as equipas estavam “à bica” com nove faltas e a décima caiu primeiro para o lado do Infante. Na transformação do respetivo livre direto, Janeka acertou mal na bola e permitiu a defesa de Joka e na sequência deu um toque involuntário em João Pinheiro, que aproveitou bem o momento para fazer a sua parte e cair com “estrondo” no solo, levando a dupla de arbitragem a assinalar a 10ª falta de equipa dos turquelenses. O desespero e a ansiedade apoderaram-se de todos os presentes, assim que João Candeias foi para a marca do livre direto no frente a frente com Tuga. O jovem avançado formado no Paço de Arcos não tremeu, ludibriou o guardião turquelense e fez o 8-8 final para desilusão completa de todo um pavilhão incrédulo por um empate que teve sabor claro de derrota, frente a uma equipa visitante com argumentos notoriamente inferiores aos do HCT.

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel

Dia/Hora: 29 de novembro de 2017, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (6ª jornada)

Árbitros: José Nave (Lisboa), Paulo Baião (Lisboa), Paulo Silva [3º árbitro] (Leiria), Paulo Carvalho [4º Árbitro] (Leiria)

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C) (2), [7] André Moreira (3), [22] Luís Silva (3), [57] João Silva “Janeka”, [4] Daniel Matias e [58] Tiago Mateus. Não jogou: [10] Samuel Santos (GR).

Treinador: Jorge Godinho

C. Infante Sagres: [92] Bruno “Joka“ Ferreira (GR), [2] João Pinheiro (C), [7] Tiago Ferraz (2), [8] Celso Silva, [23] João Candeias (3), [88] Bruno Fernandes (1), [27] Carlos André Rodrigues (2) e [4] Tiago Pinheiro “Pinhas”. Não jogaram: [13] Pedro Magalhães (GR) e [77] João Rodrigo Campelo.

Treinador: Fernando Almeida

Faltas de Equipa: 11-11

Disciplina: Cartão Azul a [88] Bruno Fernandes (CIS).

Resultado ao intervalo: 3-3

Resultado Final: 8-8

No próximo sábado, 2 de dezembro de 2017 pelas 18 horas, o campeonato prossegue, com a 7ª jornada e com o HCT a deslocar-se ao reduto de mais um clube recém promovido, os alentejanos do H.C.P. Grândola, clube que fez história no final de 2016/2017, ao sagrar-se no único clube Alentejano a subir à 1ª Divisão Nacional na história do Hóquei em Patins. Será um jogo intenso e difícil para os pupilos de Jorge Godinho, que terão de estar ao seu melhor nível para levarem de vencida uma formação com menos atributos individuais, mas com uma boa organização coletiva.  

Fotos: Carmo Honório