Depois da vitória por 3-5 na 1ª Mão na Suíça no início de novembro frente ao Geneve R.H.C., e do ciclo de jogos e derrotas frente aos três grandes, os turquelenses viam o regresso das competições europeias a Turquel no jogo de volta, como uma oportunidade para poderem rubricar uma boa exibição e conseguir golos, algo que tinham conseguido apenas por uma vez nos três encontros já referidos. No entanto, este encontro da 2ª Mão foi tudo menos um conto de fadas para os alvinegros, que tiveram de sofrer a bom sofrer para ficarem com a eliminatória favorável. O Genève apresentou-se em Turquel muito bem organizado e apesar de André Moreira ter dado vantagem ao HCT, os suíços mostraram inteligência, protegeram-se muito bem do ritmo de jogo que os da casa tentaram impor em ataque e conseguiram ter muita bola para passarem para a frente do marcador (1-2) e deixarem em suspenso, até aos segundos finais, o desfecho da eliminatória. O “susto” para os visitados foi grande, mas o objetivo primordial (passar aos oitavos-de-final) foi cumprido, apesar de esta ter sido a exibição mais “descolorida” da temporada.

Primeiro tempo com entrada sagaz dos forasteiros, que mostraram competência e qualidade naquilo que melhor sabem fazer, usando e abusando da boa longa e meia-distância que alguns dos seus atletas possuem e do jogo interior, com destaque para o catalão Guillem Coll Ramada e para o português Flávio Silva, este último que conseguiu desequilibrar muitas vezes o jogo a favor da sua equipa, com excelentes entradas pelos corredores laterais e assistências de qualidade para o interior da área. Ainda assim, aos sete minutos de jogo e um pouco contra a corrente do mesmo, foi o HCT a marcar primeiro, numa boa transição ofensiva 2x1, com o capitão Vasco Luís a assistir André Moreira para este passar pelo outro português da equipa do Genève, o guardião Sebastian Silva, e fazer o 0-1. A equipa turquelense tinha estado por baixo no jogo até então, mas conseguira o mais difícil e colocou-se na frente com três golos à maior na eliminatória. No entanto, a equipa comandada por Jorge Godinho nunca pareceu confortável no jogo e sofreu o empate logo a seguir, num lance típico dos suíços, com Flávio Silva a assistir o italo-argentino Juan Cerezo e com este, no interior da área de Tuga, a rodar sobre Pedro Vaz e a fazer o 1-1. Depois deste tento os “brutos dos queixos” não mais fizeram jus à sua alcunha e não mais se encontraram no encontro, tendo permitido ascendente ao adversário até ao intervalo. No entanto, a dois minutos do descanso Flávio Silva viu a cartolina azul por derrube a Luís Silva, sendo que Daniel Matias não conseguiu transformar o devido livre direto em golo. Ao intervalo prevalecia o empate a uma bola.

Na segunda metade os da casa tentaram alterar a sua atitude passiva, demonstrada até então, conseguiram ter supremacia nos minutos iniciais, mas foram desperdiçando algumas oportunidades para passarem de novo para a frente do marcador, começando a criar um clima de intranquilidade em si próprios, que passou também para as bancadas e que fez com que a equipa defendesse recuada em demasia, permitindo aos visitantes criarem muito perigo junto da baliza de Tuga. Aos oito minutos desta etapa complementar Daniel Matias foi derrubado no interior da área suíça por Sebastian Silva, mas o capitão Vasco Luís, na tentativa de transformação da grande penalidade, permitiu a defesa ao guardião português, ele que nesta altura já se cotava como um dos melhores homens em rinque. Quatro minutos depois Luís Silva disparou contra as caneleiras de Flávio Silva e colocou este no “cara a cara” com Tuga, com o camisola 28 suíço a não desperdiçar a oportunidade para fazer o 1-2 e colocar ainda mais incerteza quanto ao desfecho da eliminatória. Os alvinegros não estavam contentes com o resultado e principalmente com a sua performance e tiveram um período em que carregaram sobre o último reduto helvético, tendo tido oportunidades para “acabar” com o adversário, mas nem depois de outro azul a Flávio Silva por protestos (Janeka permitiu nova boa intervenção a Sebastian Silva na conversão do respetivo livre direto), nem em superioridade numérica, os visitados lograram pelo menos empatar o jogo. Com três minutos para jogar e com nove faltas acumuladas os da casa viram Juan Cerezo isolar-se incrivelmente quando o Genève jogava em inferioridade numérica e sofrer penalty por um toque no stique de André Moreira. O mesmo Juan Cerezo não conseguiu passar a barreira chamada Tuga na conversão do castigo e os adeptos da casa respiraram de alívio. Com pouco tempo para a jogar e com a equipa a “segurar a derrota”, tendo em atenção que um golo de diferença à menor chegava para passar aos oitavos-de-final, ainda houve tempo para Janeka sofrer um penalty por derrube inequívoco de Flávio Silva, mas André Moreira, mais uma vez, não conseguiu fazer o golo do empate, atirando ao lado e rejeitando a recarga, em função dos escassos segundos que faltavam para o apito final. O jogo chegou ao fim com o resultado inesperado de 1-2 e apesar de uma exibição bastante “cinzenta”, a equipa está na próxima fase da Taça CERS.

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel

Dia/Hora: 25 de novembro de 2017, às 21H locais (22H em Geneve, Suíça)

Competição: 16 Avos-de-Final da Taça CERS (2ª Mão) [3-5 na 1ª Mão]

Árbitros: Ulderico Barbarisi (Itália), Claudio Ferraro (Itália), Orlando Ramos (3º Árbitro) [Portugal] e António Peça (4º Árbitro) [Portugal]

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C), [7] André Moreira (1), [22] Luís Silva, [4] Daniel Matias, [58] Tiago Mateus e [57] João Silva “Janeka”. Não jogou: [10] Samuel Santos (GR)

Treinador: Jorge Godinho

Genève R.H.C.: [23] Sebastian Silva (GR), [28] Flávio Silva (1), [33] Guillem Coll Ramada, [7] Justin Duverney, [31] Louis Forel (C), [8] Juan Cerezo (1) e [19] Fabien Waridel. Não jogaram: [13] David Cosme (GR), [99] Jonathan Waridel e [15] Matteo Tercier.  

Treinador: Jerôme Desponds

Faltas de Equipa: 9-13

Disciplina: Cartão Azul a [28] Flávio Silva (GRHC) [2X].

Resultado ao intervalo: 1-1

Resultado Final: 1-2

Resultado Agregado da Eliminatória: 6-5

No próximo dia 9 de dezembro de 2017, às 21 horas, o HCT joga em casa a 1ª Mão dos oitavos-de-final da Taça CERS, defrontando os franceses do SCRA Saint Omer, equipa que lidera o campeonato francês e que conta nas suas fileiras com os “turquelenses” Xavier Lourenço e Eduardo “Edu” Leitão, o primeiro integralmente formado no HCT e o segundo completando grande parte do seu crescimento enquanto guarda-redes também em Turquel. Será uma eliminatória ainda mais dura que a anterior e será importante uma boa 1ª Mão para podermos sonhar.

Nesta quarta-feira, 29 de novembro pelas 21 horas, os turquelenses colocam em dia a jornada do Nacional da 1ª Divisão, recebendo no Gimnodesportivo Turquelense o recém-promovido Clube Infante Sagres, agremiação da freguesia de Lordelo do Ouro (Porto). Ambas as equipas somam apenas três pontos e será um jogo importante para qualquer um dos lados. O apoio de todos os turquelenses será fundamental.

Fotos: HCTV