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Vindo de uma desvantagem de dois golos em Paço d’Arcos, o HCT teria de anular o resultado desfavorável de 3-5 para subir de divisão, numa tarefa difícil mas não impossível, tendo em conta o valor do seu conjunto e a ajuda do seu público entusiasta. O encontro começou mal para os alvinegros com um golo forasteiro e com a exclusão temporária de Daniel Matias bem cedo no jogo, a vantagem do PA até acabou por ser anulada quando André Luís fez o 3-1 de livre directo, mas depois veio ao de cima a experiência de Rui Lopes e algumas decisões da equipa de arbitragem que deixaram os cabelos em pé a jogadores e adeptos da equipa da casa, contribuindo decisivamente para o empate a quatro bolas e para a festa do Paço d’Arcos perante mais de 2.000 adeptos, na maior enchente de sempre do gimnodesportivo turquelense.

 

Um pouco mais de 2.000 pessoas não quiseram perder o jogo do ano num pavilhão de Turquel onde não cabia nem mais uma mosca. De Paço d’Arcos viajaram cerca de 150 adeptos que ficaram situados no topo norte a darem um colorido bonito ao palco da festa. O H.C. Turquel e o C.D. Paço d’Arcos disputavam a segunda mão do play-off de subida à 1ª divisão, depois de na primeira mão a equipa da linha ter levado a melhor, com um resultado de 5-3. No primeiro jogo o HCT tinha rubricado uma bela exibição, com uma primeira parte muito conseguida e com o empate a três bolas logo no início do segundo tempo, as diferenças foram estabelecidas pelos erros individuais, sendo que a vantagem do adversário pecou por excesso no final dos 50 minutos. O Paço d’Arcos por seu lado vinha a Turquel segurar a vantagem, com um colectivo assinalável e com individualidades acima da média, depois de uma primeira mão jogada com inteligência. Um grande jogo em perspectiva.       

 

O jogo iniciou-se e ainda dentro do primeiro minuto já o HCT sofria o primeiro golo, Rui Pereira rompeu pela esquerda e sofreu suposta carga de Daniel Matias que Rui Lameiras, um dos árbitros da partida que viajou desde Setúbal, não teve dúvidas em assinalar, despoletando a primeira onda de raiva no pavilhão. Quem não se importou com os protestos de quase todo o pavilhão foi o camisa quatro visitante Rui Pereira que se encarregou da transformação e, tal como em Paço d’Arcos, não falhou, desfeitiando Hélio Gonçalves pela primeira vez. Um minuto mais tarde, em mais uma falta normal, Daniel Matias via o segundo amarelo e era excluído precocemente do jogo com o correspondente azul, perante a incredulidade de todos. O HCT revoltou-se e foi atrás do resultado, as coisas estavam muito difíceis, mas nunca ninguém no pavilhão, deixou de acreditar. Foi então que numa reposição rápida, Fábio Alexandre serviu André Luís em velocidade, o lance apanhou desprevenidos os jogadores do Paço d’Arcos e o capitão turquelense só foi travado em falta pelo guardião azul e branco Pedro Alegria (ex-HCT). Castigo máximo que Vasco Luís se encarregou de transformar em golo para o 1-1, provocando a primeira explosão de alegria dos cerca de 2.000 adeptos presentes que puxavam agora incessantemente pela sua equipa.

A partir deste momento o ascendente passou a ser exclusivo da equipa da casa, o Paço d’Arcos limitava-se a segurar a bola nos cantos da pista e perdia constantemente o esférico na pressão alvinegra, foi nesta fase que André Luís atirou ao poste depois de ter roubado a bola a João Rodrigues e Rui Filipe imitou o seu capitão depois de excelente assistência de Vasco Luís. Em ambos os lances a bola passou por trás de Pedro Alegria e caprichosamente não entrou. O desnorte dos visitantes era uma realidade e foi num lance aparentemente inofensivo que Gonçalo Pestana ceifou Fábio Alexandre para um livre directo que André Luís não conseguiu concretizar, a recarga de Daniel Matias (entretanto entrado) com a baliza deserta tomou o caminho da rede...lateral. Antes do intervalo tempo ainda para mais uma perdida escandalosa de André Luís com a baliza deserta a atirar ao lado, depois de jogada de insistência do seu irmão Vasco. Ao intervalo o empate a uma bola era injusto para os alvinegros, que tinham feito bem mais para mercer apenas a igualdade.              

 

No segundo tempo os “brutos dos queixos” voltaram à carga e começaram novamente melhor, logo nos primeiros minutos, Luís Pedro aproveitou uma nesga de terreno e com stickada potente fez a bola embater pela terceira vez no poste da baliza de Pedro Alegria, a sorte parecia não querer nada com os turquelenses e estava custoso assumir a vantagem no marcador. Ainda assim e depois de mais algumas stickadas infrutíferas, eis que chega o 2-1. Em jogada pela esquerda Vasco Luís sticka à baliza, a bola perde-se na tabela de fundo, André Luís recupera a bola e com um passe de trás para a frente da baliza assiste o seu irmão Vasco que só teve de encostar para bisar e fazer renascer a esperança a um pavilhão cada vez mais escaldante. De realçar pela negativa o que se passou durante os festejos do segundo golo alvinegro, alguns atletas do HCT celebraram efusivamente junto a Hugo Lourenço (ex-HCT) e em desequilíbrio o camisola oito do Paço d’Arcos agrediu Vasco Luís. Ficámos sem saber se o lance foi inadvertido, o que é certo é que Lourenço foi expulso com vermelho directo depois deste lance. O encontro ficou como que ensombrado e um minuto depois, Daniel Matias foi atingido por stickada feia e violenta numa perna quando conduzia o esférico pelo jovem João Rodrigues, o nove visitante recebeu o azul directo e na transformação do respectivo livre directo, o capitão André Luís mostrou frieza e desta vez não falhou, empatando a eliminatória, colocando o resultado em 3-1 a favor dos comandados de João Simões. O HCT não teve em vantagem dois minutos, pois numa saída rápida do Paço d’Arcos, Daniel Matias travou Rui Pereira em falta num lance aparentemente normal, não se tendo registado o engachamento e faltando ainda dois jogadores do HCT para ultrapassar, ficou sem se perceber o porquê da exibição do azul directo a Matias por parte do árbitro Rui Lameiras. O camisa quatro turquelense já tinha o azul e por isso viu o consequente vermelho. Na transformação do castigo, o veterano Rui Lopes mostrou muita classe e bateu Hélio Gonçalves pela segunda vez, colocando o placard em 3-2. Com este golo os jovens turquelenses como que se foram abaixo psicologicamente e o Paço d’Arcos mostrou qualidades na gestão da posse de bola, criando sempre perigo junto da baliza alvinegra. Foi numa bonita jogada individual de Gonçalo Pestana que o capitão azul e branco assistiu Rui Ribeiro no coração da área, para este fugir à marcação de André Luís e de primeira atirar a contar para a igualdade a três bolas. Este golo foi uma machadada muito grande nas aspirações alvinegras e tudo parecia perdido.

No entanto, vindos do nada e com um espírito guerreiro incrível, os turquelenses foram buscar forças para fazer o quarto golo. Na jogada da noite, entendimento entre Vasco Luís e Fábio Alexandre com o primeiro a assistir o seu irmão André Luís no segundo poste para o 4-3, resultado que recolocava a eliminatória em aberto com cerca de quatro minutos para jogar. Mas, deu-se novamente o golpe de teatro, Rui Pereira (sempre ele) em saída rápida, passa por Luís Pedro e é tocado num lance aparentemente normal para todos, menos para o árbitro principal Joaquim Carpelho de Setúbal que mostrou o azul directo ao número dois alvinegro (viu vermelho directo por protestos) e colocou Rui Lopes novamente na marca de livre directo, o experiente jogador da linha mais uma vez mostrou toda a sua categoria e não falhou, acabando com o jogo e com a eliminatória. No final, 4-4 foi um resultado que se deve considerar pesado para a equipa da casa e que premiou a inteligência na abordagem ao jogo por parte da Paço d’Arcos. De referir ainda que já com o jogo terminado, Vasco Luís recebeu também ele ordem de expulsão por palavras dirigidas à equipa de arbitragem.  Na hora da festa muita civilização, os visitantes celebraram a subida ordeiramente e os turquelenses também invadiram pacificamente a pista para confortar os seus atletas e valorizar o esforço efectuado ao longo desta época, tudo isto debaixo de intenso fogo de artifício que maravilhou os presentes e que foi cuidadosamente preparado pela direcção do HCT em forma de surpresa.

 

A época terminou e esta nossa fantástica equipa ultrapassou as expectativas dos mais optimistas, a tristeza que invadiu os rostos de atletas, equipa técnica e directores do HCT no fim do jogo foi porque o sonho teve tão perto de acontecer e escapou à última por entre os dedos, com “ajuda divina”. Na hora da despedida fomos dignos e fomos grandes, muito obrigado aos jogadores e todo o staff que nos fizeram viver este sonho até ao fim, um bem-haja e viva o HCT!  

 

O H.C. Turquel alinhou com: Hélio Gonçalves (Gr. 4 golos sofridos), Daniel Matias (2 Amarelos, 2 Azuis, 1 Vermelho), André Luís (Cap. 2 golos, 1 Assistência), Vasco Luís (2 golos, 1 Assistência, 1 Amarelo, 1 Vermelho), Fábio Alexandre (1 Amarelo), Luís Pedro (1 Amarelo, 1 Azul, 1 Vermelho), Rui Filipe, Nuno Maurício (1 Amarelo) e Luís Coelho. Não jogou: Paulo Bértolo (Gr.).Treinador: João Simões

 

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