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Na primeira mão do play-off de acesso à 1ª divisão, o HCT foi até Paço d’Arcos como uma equipa perfeitamente desconhecida para as gentes do sul, teve em vantagem desde muito cedo, permitiu a reviravolta, com grande espírito de união logrou empatar, mas no final permitiu uma vantagem de dois golos para a 2ª mão que tem todas as hipóteses de ser contornada. Um jogo que teve emoção, que teve espectáculo e que também teve uma dupla de arbitragem que foi demasiado protagonista.

 

Num pavilhão de Paço d’Arcos muito bem composto e com cerca de 300 adeptos a viajarem desde Turquel, C.D. Paço d’Arcos e H.C. Turquel disputavam a primeira mão do play-off de subida à 1ª divisão, jogo entre 2º classificado da Zona Sul e 2º classificado da Zona Norte, numa eliminatória que se disputa a duas mãos. Uma carga emocional muito grande num confronto vibrante, com excelentes intérpretes. Depois de ter garantido o acesso ao play-off com vitória clara em casa frente à Escola Livre de Azeméis por sete golos sem resposta, o HCT entrava para este jogo com o Paço d’Arcos com a moral bem lá no topo e com uma vontade enorme de dar alegrias aos seus adeptos. Do outro lado, o Paço d’Arcos vinha de uma vitória muito importante frente aos vizinhos do Parede por 4-2 e o 2º lugar da classificação também só tinha sido assegurado na derradeira jornada da fase regular. Esperava-se para esta 1ª mão, um confronto com bastante equilíbrio.       

 

De início os conjuntos estudaram-se mutuamente, o ritmo era elevado e as oportunidades foram surgindo com maior incidência na baliza do guardião da casa Pedro Alegria (ex-HCT), Fábio Alexandre em stickada à meia volta e depois na recarga permitiu duas intervenções de nível. A resposta do Paço d’Arcos surgiu logo a seguir com Rui Ribeiro a stickar de longe e Hélio Gonçalves a defender com a luva esquerda, respondendo Vasco Luís com iniciativa individual pela esquerda, mas a permitir a defesa de Alegria. O encontro estava vivo e nenhuma das equipas queria dar a superioridade do jogo ao adversário. Ainda assim o HCT estava melhor e na melhor jogada do desafio, construção perfeita de um contra-ataque, a bola passa pelos quatro elementos de campo, primeiro com Vasco Luís a colocar pela tabela em André Luís, que por sua vez desmarca Daniel Matias com passe subtil, o camisa quatro de Turquel recebeu e conduziu até junto da área do Paço d’Arcos, onde assistiu Fábio Alexandre ao segundo poste para o 0-1. Um golo fantástico que colocou em delírio os ruidosos adeptos turquelenses. Como era de esperar a equipa da casa reagiu com força e depois de algum perigo provocado por passes a rasgar para o interior da área alvinegra, chega o empate, João Rodrigues vê a desmarcação de Rui Pereira no interior da área e assiste o “quatro” azul e branco, este rodopia sobre André Luís e bate Hélio Gonçalves pela prmeira vez, 1-1. Pouco tempo depois e deu-se um dos casos do jogo, Luis Inácio um dos árbitros da partida assinala penalty contra o Paço d’Arcos por bola levantada em excesso por um jogador visitado e o chefe de equipa Paulo Romão volta com a decisão do seu colega atrás e anula a decisão, num gesto inexplicável e que colocou os adeptos de Turquel em fúria, isto tudo adicionado à suspensão inexplicável de Fábio Alexandre com duplo amarelo numa falta normal de jogo. Logo em seguida um contra-ataque conduzido pelo veterano Rui Lopes, André Luís não consegue a intercepção e o ex-internacional português, junto a Hélio Gonçalves, executa passe atrasado para a entrada da área, onde aparece de rompante o futuro reforço do Benfica João Rodrigues para fazer o 2-1, a reviravolta no marcador estava consumada.

O HCT reagiu com prontidão, grande jogada de ataque planeado, Luís Pedro descobre André Luís que com um toque na bola isola o seu irmão Vasco, este é carregado pelo guardião Pedro Alegria e penalty a favor dos alvinegros. Na transformação do castigo, o mesmo Vasco Luís permitiu grande intervenção ao guardião da casa. Como quem não marca...sofre, o Paço d’Arcos aproveitou um contra-ataque de 2x1 e Rui Pereira com stickada violenta desfeitiou Hélio Gonçalves pela terceira vez, fazendo o seu bis, no 3-1. O intervalo não chegaria sem mais emoção primeiro foi João Rodrigues por duas vezes na mesma jogada a fazer brilhar Hélio Gonçalves e depois já em cima do apito para o descanso, Rui Lopes perde uma bola infantilmente no seu ataque e quem aproveitou foi Vasco Luís em excelente jogada individual a passar por Gonçalo Pestana e em frente a João Rodrigues a desferir uma bomba do “meio da rua” em cima do apito do cronómetro para o intervalo, fazendo desta forma dramática o 3-2 e recolocando o HCT em jogo.          

 

No segundo tempo começou melhor o HCT novamente, primeiro Daniel Matias num lance de dois contra um rematou de forma frouxa para a defesa de Alegria e depois Vasco Luís em mais uma enorme jogada individual, colocou a bola por entre as pernas de Gonçalo Pestana e quando todos pensavam que ia stickar, colocou no segundo poste para o seu irmão André que, de forma incrível, com a baliza deserta, atirou ao lado. No entanto o capitão Turquelense iria redimir-se um minuto depois, depois de ter stickado para mais uma defesa do guarda-redes da casa, André Luís com a ajuda de Rui Filipe recuperou uma bola que parecia perdida atrás da baliza a Gonçalo Pestana e inteligentemente aproveitou o desposicionamento de Pedro Alegria para fazer a bola tabelar neste e saltar caprichosamente para o fundo das redes visitadas, estava feita a igualdade (3-3) e era o delírio na bancada afecta aos alvinegros. Logo em seguida e com alguma fortuna, o Paço d’Arcos chegava novamente à vantagem, Rui Pereira em boa jogada individual passa em velocidade por Rui Filipe, sticka para defesa de Hélio Gonçalves, recupera a bola e depois de passar por trás da baliza, rematou contra o guarda-redes alvinegro que entretanto tinha ficado sem stick, penalty assinalado e Rui Pereira com categoria fez o seu “hat-trick”, colocando a bola no ângulo direito da baliza Turquelense para o 4-3. Esta era uma fase em que o HCT tinha perdido ascendente e o cansaço começava a apoderar-se das duas equipas. Os comandados de João Simões mantinham-se na luta em busca do empate, mas cometeram dois erros fatais, primeiro Daniel Matias a perder uma bola em zona proibida para Rui Lopes, este isolado perante Hélio Gonçalves e importunado por Vasco Luís, não conseguiu o golo, na sequência da jogada Vasco Luís tenta passe ao segundo poste com a equipa totalmente balanceada no ataque e a intercepção permite a Rui Lopes ficar novamente cara a cara com o guardião alvinegro, não perdoando desta feita, fazendo o 5-3. Até final destaque ainda para dois livres directos desperdiçados, um para cada equipa, primeiro Vasco Luís a enviar por cima da baliza visitada, depois de um azul directo mostrado a Rui Ribeiro, por falta violenta sobre Nuno Maurício e depois Hugo Lourenço a atirar ao lado depois de falta de Vasco Luís sobre o mesmo Hugo Lourenço e consequente azul directo para o nove de Turquel. De realçar ainda a expulsão com vermelho por acumulação de André Pereira, o camisa sete azul e branco foi ingénuo e por palavras dirigidas ao árbitro mereceu ordem de expulsão, estando assim impedido de dar o contributo à sua equipa na 2ª mão do play-off em Turquel, sendo que o técnico do HCT João Simões também acabou expulso já no final do jogo por ter confrontado a equipa de arbitragem com algumas situações do jogo. A partida terminou com 5-3 para o Paço d’Arcos, num encontro emocionante, onde a equipa de arbitragem Luís Inácio (Ribatejo) e principalmente Paulo Romão (Lisboa) foram protagonistas pela negativa.        

 

No final, festejos algo exagerados por parte de jogadores e adeptos do Paço d’Arcos e a certeza de que nada está decidido (diferença de dois golos na eliminatória), pois no próximo sábado dia 13 de Junho em Turquel a partir das 21 horas, tem lugar a 2ª mão deste play-off de acesso à 1ª divisão, com o lema “Ou 1ª Divisão ou Festa”. Espera-se um pavilhão a rebentar pelas costuras, que levará os jogadores do HCT a rubricarem a exibição das suas vidas, num dia em que se irá escrever mais uma bela página da história de ouro do hóquei em patins português no geral e do H.C. Turquel em particular. Está na hora de mostrarmos a nossa força e de fazermos valer o epíteto de “Capital Portuguesa do Hóquei em Patins”, levando o nosso HCT para o lugar que merece e pertence. O cachecol é indespensável e aquela força de vontade para “empurrar” a nossa grande equipa...também! “Não seremos os mais ricos, nem tão pouco o clube mais pobre, mas seremos sempre amigos, unidos até à morte”!!!  

 

O H.C. Turquel alinhou com: Hélio Gonçalves (Gr. 5 golos sofridos, 1 Amarelo), Daniel Matias (1 Assistência), André Luís (Cap. 1 golo, 1 Amarelo), Vasco Luís (1 golo, 1 Azul), Fábio Alexandre (1 golo, 2 Amarelos, 1 Azul), Luís Pedro, Rui Filipe (1 Amarelo) e Nuno Maurício. Não jogaram: Rui Andrade “Ruca” (Gr.) e Fábio Silvestre.Treinador: João Simões

 

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