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O jogo do ano trazia o líder Espinho até Turquel para defender o primeiro lugar, frente a um HCT disposto a assumir essa condição em caso de vitória. Perante 1.800 adeptos, na maior lotação da época, os visitantes foram mais fortes e demonstraram a razão de serem líderes, perante um HCT algo inibido, mas com um espírito guerreiro que não chegou para conquistar pontos, mas que encheu de orgulho todos os seus adeptos e amantes da modalidade. Um grande jogo de hóquei em patins.

 

Foi com o gimnodesportivo Turquelense a rebentar pelas costuras (bancada central encheu uma hora antes do apito inicial) que chegava o dia do embate da época na Zona Norte da 2ª divisão. Cerca de 1.800 adeptos lotaram o pavilhão em Turquel e puderam assistir a um encontro carregado de emoção com algumas cenas lamentáveis, mas com muita qualidade à mistura.    

Depois de se ter imposto na Mealhada frente ao último classificado por 3-8, a recepção ao líder antevia-se bastante difícil e só um Turquel de bom nível poderia fazer frente a um conjunto da A.A. Espinho confiante, “matreiro” e organizado. Os dados estavam lançados e a disputa advinhava-se intensa.     

 

ImageLogo a entrar o Espinho mostrou ao que vinha e criou perigo na jogada de saída, Rui Silva fugiu a André Luís e de ângulo muito apertado, quase enganou Hélio Gonçalves, estava dado o primeiro aviso logo no raiar do encontro. Desde cedo se percebeu que a turma Espinhense estava mais desinibida e decidida que o conjunto Turquelense, que apenas criava relativo perigo com stickadas de meia-distância. Foi então, sem surpresa, que os visitantes se colocaram em vantagem, contra-ataque construído a grande velocidade e a bola a chegar a João Pinto na direita que de primeira e de muito longe inaugurou o marcador. Poucos minutos volvidos e o Espinho volta a marcar, novamente João Pinto, desta feita em jogada individual, a ludibriar Daniel Matias e a stickar de meia-distância para o seu bis, perante um Hélio Gonçalves encoberto. Com 0-2 no marcador os comandados de João Simões teriam de correr atrás do prejuízo e mostrar algo mais, sob pena de sairem para o intervalo vergados a uma desvantagem difícil de recuperar. Foi o que aconteceu, a entrada de Fábio Alexandre trouxe outra vida ao ataque Turquelense e permitiu recuperações de bola mais rápidas que punham a defesa do Espinho com dificuldades, além disso João Pinto e o veterano capitão Tó Rocha eram figuras pela negativa nesta altura, com excesso de agressividade e protagonismo, cada um deles foi admoestado com duplo amarelo e consequente azul.

Quem aproveitou foi o HCT que por intermédio do melhor marcador da 2ª divisão, Vasco Luís, inaugurou o marcador em excelente movimento colectivo. Nesta fase o guarda-redes Tiago Santos do Espinho estava a sobressair e as suas defesas iam adiando o inevitável que foi o empate, stickada violenta de Daniel Matias para a tabela de fundo e na recarga Vasco Luís mais uma vez a não perdoar, restabelecendo a igualdade, desta feita a duas bolas. O descanso não chegou sem que uma grande oportunidade fosse desperdiçada, a três segundos do fim, contra-ataque turquelense com Daniel Matias a assistir Vasco Luís e com o artilheiro isolado e de forma incrível perante Tiago Santos, a não conseguir ludibriar o guardião forasteiro. Ao intervalo, 2-2.  

 

No segundo tempo o HCT entrou a dominar, com maior tempo de posse de bola e com uma dinâmica de jogo assinalável, os “brutos dos queixos” iam testando as qualidades de Tiago Santos na baliza Espinhense e este ia respondendo à altura. Do outro lado Hélio Gonçalves tinha agora menos trabalho do que no primeiro tempo, mas não se livrou de ver uma bola embater no seu poste esquerdo depois de stickada do meio da rua de Ricardo Coelho. Ao Turquel faltava nesta fase arte e engenho para furar o bloco defensivo adversário e ao Espinho faltava criatividade no ataque devido às sanções aplicadas aos dois criativos, João Pinto e Tó Rocha. Foi com a entrada do veterano Tó Rocha (já com azul) que tudo se alterou, numa altura em que quem marcasse golo se colocava em excelente posição para averbar os três pontos, o camisa sete do Espinho interceptou um passe mal medido de Vasco Luís e depois de patinar até à meia-pista contrária, aproveitou a passividade dos jogadores Turquelenses para bater Hélio Gonçalves com stickada colocada e poderosa, estava feito o 2-3. No melhor pano cai a nódoa e logo em seguida Tó Rocha “borrou a pintura”, depois de ter sofrido falta de Daniel Matias, agrediu barbaramente o camisola quatro do HCT com uma stickada na cabeça e viu o inevitável vermelho directo, manchando uma exibição até aí bastante positiva.

Em desvantagem o HCT carregava sobre a baliza adversária, mas fazia-lo sempre de forma atabalhoada e com pouco sentido colectivo, por seu turno o Espinho entrava numa toada habitual do seu jogo, com jogadores a cairem constantemente a pedir assistência, entrando constantemente no esquema do anti-jogo, isto tudo perante a permissividade da dupla Alentejana constituída por Jaime Vieira e Jorge Monginho. Foi assim que os visitantes conseguiram adormecer o jogo e fazer o 2-4, de novo João Pinto a fugir a Daniel Matias e cara a cara com Hélio Gonçalves, a finalizar com classe para o seu “hat-trick”. O quarto golo dos visitantes tinha sido um duro golpe nas aspirações alvinegras e com muito tempo para jogar havia que manter a calma e encontrar soluções. Foi o que a jovem equipa de Turquel fez, com muito brio e dedicação, foi atrás do resultado e começou por enviar uma bola ao ferro da baliza de Tiago Santos, com Vasco Luís a ser o protagonista depois de bonita jogada individual, mais tarde Daniel Matias stickou forte e Rui Silva interceptou a bola em cima da linha de golo perante um Tiago Santos momentâneamente sem stick e já batido e minutos depois Vasco Luís sofre falta já no interior da área e Jorge Monginho assinala fora. Depois de muito tentar, apareceu o golo da aproximação, recuperação e condução de bola do capitão André Luís, chamando as atenções à esquerda e assistindo Luís Pedro à direita para o 3-4. Era o delírio no pavilhão Turquelense, faltavam cerca de quatro minutos para o apito final e havia uma réstia de esperança. Image

Ainda assim e até final o Espinho controlou as operações, os seus jogadores foram caindo no chão a todo o momento e iam travando as iniciativas ofensivas alvinegras com muitas faltas. Já com o jogo a acabar poderia ter surgido o empate, André Luís colocou a bola na área e Luís Pedro desviou, valeu Tiago Santos que com boa intervenção evitou a repartição de pontos e colocou o Espinho com um pé e meio no primeiro escalão do hóquei nacional. No final, 3-4, um resultado amargo para os quase dois milhares de adeptos que se fizeram deslocar ao pavilhão de Turquel, mas que na hora de agradecer, permaneceram de pé e não negaram aplausos à sua equipa pelo esforço que demonstraram ao longo dos cinquenta minutos, mostrando-se orgulhosos pela prestação dos seus atletas. Também os atletas devolveram os aplausos ao seu público, orgulhos da enchente e do apoio.

                  

Jogo algo feio e quezilento, com poucos remates às balizas de ambos os lados e em que a emoção apenas ficou espelhada no equilíbrio do resultado. O público Turquelense esteve imparável, com apoio constante à sua equipa ao longo de todo o tempo, sempre de cachecol em punho, um espectáculo digno de ser visto e revisto muitas vezes. Esta derrota deixa o HCT distante do primeiro lugar e do acesso directo à 1ª divisão, mantendo no entanto intactas as hipóteses de apuramento no 2º lugar da classificação, bastando-lhe para isso vencer os dois jogos que restam no campeonato.

 

No próximo sábado dia 23 de Maio pelas 18 horas, o HCT desloca-se ao reduto do terceiro classificado o S.C. Tomar, com o intuito de trazer os três pontos. A presença do povo Turquelense em Tomar será concerteza um tónico gigante para que os nossos atletas se transcendam... vamos todos apoiar esta equipa fantástica!! 

 

O H.C. Turquel alinhou com: Hélio Gonçalves (Gr. 4 golos sofridos), Daniel Matias (1 Amarelo), André Luís (Cap. 1 Assistência), Luís Pedro (1 golo), Vasco Luís (2 golos, 1 Amarelo), Fábio Alexandre (1 Amarelo) e Rui Filipe. Não jogaram: Paulo Bértolo (Gr.), Luís Coelho e Nuno Maurício.

Treinador: João Simões

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